terça-feira, 3 de março de 2020

Do Inkscape para a gráfica


Serviço de primeira: em CMYK e PDF/X-3


O arquivo que ilustra este artigo trata-se de uma publicação real. Todo o procedimento que é mostrado aqui e as capturas de tela foram feitos durante a finalização verdadeira de um serviço para impressão gráfica usando-se exclusivamente o Inkscape. Significa que este tutorial não se limitará a mostrar apenas um conceito teórico que pode ou não dar certo. Trata-se de um caso prático onde mostro que SIM, é possível usar o Inkscape para finalização de trabalhos profissionais de impressão numa gráfica comercial. Dá certo e o resultado fica 100% ok.

Sabemos que para enviar arquivos para qualquer gráfica, é preciso ficar atento a pelo menos três condições essenciais. Primeiro, as imagens devem estar em 300 dpis. Segundo, as cores do documento precisam estar em modo CMYK para impressões coloridas e em grayscale (tons de cinza) para impressões em preto e branco. Terceiro, o arquivo deve estar em PDF/X-1a ou PDF/X-3. Para cumprir essas três etapas usando somente software livre, geralmente apelamos para o Scribus. Ele é o software especialista nessa área. Mas neste artigo será usado somente o Inkscape. Quer saber como? Acompanhe...


A questão da obtenção de saída em CMYK e em PDF a partir do Inkscape é um dos assuntos mais comentados, debatidos, criticados e solicitados pelos usuários desse software. Talvez essa seja uma das maiores reclamações que o Inkscape recebe ao longo de sua existência até a versão atual, a 0.48. Quando se compara o vazio existente pela ausência da saída em CMYK, frente ao que os outros softwares famosos da mesma linha oferecem, como o Adobe Illustrator e o CorelDraw, realmente o Inkscape perde pontos nesse sentido.

O problema não é por falta de interesse na equipe de desenvolvimento do Inkscape em criar novas soluções e implementar um suporte nativo para saída em CMYK. O problema é que existe a necessidade de muitos desenvolvedores dedicados trabalhando sobre essa solução, e trata-se de uma trabalheira enorme. Nesse ponto é preciso lembrar que o Inkscape é software livre. Você não paga nada por ele. Apesar da falta do CMYK, o Inkscape permanece em frequente desenvolvimento e atualmente já possui características de impor respeito. As soluções para aquilo que ainda falta no Inkscape é só uma questão de tempo.

Para saber mais sobre esse assunto leia o artigo "Na prancheta: CorelDRAW, Adobe Illustrator e Inkscape. Veja no que dá essa briga de titãs"

O que é PDF/X-3?


Na década de 1980 a Adobe, em conjunto com a Apple, criou o formato PostScript, visando fornecer um padrão seguro para impressão em diversos dispositivos. Na época o PostScript foi uma verdadeira revolução e o formato é tão versátil e eficaz que até hoje vem sendo usado devido a sua enorme flexibilidade. Em 1991, o cofundador da Adobe Dr. John Warnock lançou a revolução do impresso ao digital com uma ideia que ele chamou de "The Camelot Project". A ideia era a possibilidade de poder captar documentos de qualquer proveniência e poder enviar versões eletrônicas desses documentos para qualquer lugar, exibi-los e imprimi-los em qualquer computador. Em 1992 o Projeto Camelot se tornou o formato PDF (Portable Document Format ou, em português, formato de documento portátil), sendo uma evolução do formato PostScript. O formato PDF se tornou rapidamente um padrão para visualizar, imprimir e compartilhar documentos com outras pessoas.

Independentemente do sistema operacional do computador, o PDF é sempre confiável e consistente, sendo exibido e impresso da mesma forma de como o documento era visualizado no computador de origem. Essa característica, obviamente, atraiu a atenção das gráficas do mundo todo e uma enxurrada de profissionais das mais diversas áreas.

Devido a sua versatilidade de uso, o PDF evolui com o passar dos anos, ganhando novos recursos e características. Atualmente o formato tem a capacidade de incorporar áudio, vídeo, animações, funções de formulários como campos para preenchimento, recursos de internet como hiperlinks, anotações, comentários de revisão, assinaturas digitais, proteção com senha e muitas outras características.

Ocorre que todas essas funcionalidades são absolutamente desnecessárias em um PDF destinado exclusivamente para impressão e a existência de tais recursos poderiam causar erros no processamento dos arquivos.

Diante disso, foi criada uma nova família de PDF, contendo padrões e especificações técnicas para uso em impressão e que passaram a ser chamados de PDF/X. Trata-se de um PDF mais enxuto e especializado. Nele, todos os recursos supérfluos, inúteis para impressão gráfica, foram eliminados e os arquivos são construídos conforme especificações técnicas rígidas, baseadas em normalização pela ISO (International Organization for Standardization - Organização Internacional de Normalização).

Uma das edições do PDF/X é o PDF/X-3, que é o padrão da indústria gráfica e o melhor formato para impressão profissional em gráficas comerciais.

Qual a diferença do PDF/X-1a e o PDF/X-3? 


Nos arquivos PDF/X-1a todos os elementos das páginas (inclusive imagens e ilustrações) devem utilizar valores CMYK (sem perfil ICC associado). Já o PDF/X-3, além de permitir essa opção, também aceita o uso de imagens em RGB e definidos com perfil ICC para saída CMYK.

Portanto, para arquivos que serão impressos, fechá-lo em PDF/X-3 é a melhor opção, garantindo que o arquivo fique livre de erros. É hoje o formato mais moderno, prático e eficiente para envio de arquivos eletrônicos para impressão gráfica.

Bom, agora vamos ao que interessa.

O arquivo


O documento que será encaminhado para a gráfica é um modelo de papel timbrado em tamanho A4, referente a uma igreja.


Toda a arte foi elaborada no Inkscape. Para facilitar meu trabalho, usei por base um modelo de publicação em branco que inclusive já disponibilizei aqui no Blog.

Marcas de impressão


Antes de falar sobre marcas de impressão, minha recomendação é: NÃO APLIQUE ESSE RECURSO. A não ser que a gráfica solicite que o arquivo seja enviado com essas marcas. O motivo eu explico adiante.

Quando você prepara um documento para impressão, várias marcas são necessárias para ajudar na aparagem do papel, alinhar perfeitamente a sobreposição das cores, calibrar a densidade de pontos, etc.

Muitas gráficas recomendam que o arquivo seja encaminhado sem essas marcas. Isso porque os equipamentos de pré impressão já aplicam toda a marcação necessária. Quando isso é realizado pelo próprio equipamento gráfico, numa etapa imediatamente anterior à impressão, todo o procedimento se torna muito mais seguro. Por isso é melhor que você não use as marcas de impressão, deixando isso por conta da gráfica.

Mas caso a gráfica solicite que você leve o arquivo com as marcas de impressão, no Inkscape é possível inseri-las da forma descrita abaixo:

Vá no menu Extensões / Renderizar / Arranjo / Marcas de Impressão...


Na aba Marcas, selecione todas as opções conforme mostra a imagem abaixo.


Na aba Posicionamento, cuide para que as configurações fiquem conforme mostra a imagem abaixo.



Clique no botão Aplicar e aguarde.

Veja o resultado:


Bom, no meu caso quero o arquivo SEM MARCAS DE IMPRESSÃO. Portanto, não irei usar o procedimento descrito acima.

Convertendo a imagem para CMYK


No Inkscape, é essencial que você aplique um quadro branco como cobertura do plano de fundo da página, para evitar que haja áreas contendo transparências no arquivo exportado. Caso haja essas áreas, elas serão convertidas para a cor preta, o que obviamente arruinará o seu trabalho.

Estando a arte pronta no Inkscape, basta exportá-la para PNG com 300 DPI (menu Arquivo / Exportar Imagem PNG...).

Mais uma vez lembre-se: NÃO PODE HAVER TRANSPARÊNCIAS!

Agora você precisa converter as cores da imagem para CMYK. O Inkscape, pelo menos até a versão 0.91 usada neste tutorial, não faz essa conversão nativamente. Mas isso não é problema. Vou usar o site rgb2cmyk.org que oferece o serviço online de conversão de imagens RGB para CMYK.


Upload a file: clique no botão "Selecionar arquivo..." para localizar o arquivo PNG exportado do Inkscape.

Select Output format: selecione JPEG no formato de saída. Embora o formato TIFF ofereça mais qualidade, o JPEG facilitará a posterior conversão para PDF.

Select CMYK profile: trata-se do perfil de cores. Mantenha em SWOP2006.

Após configurar esses itens, clique no botão "Start" para iniciar a conversão.



Após terminado, o site rgb2cmyk exibirá o resultado com um preview do antes e depois da imagem convertida em CMYK. É só fazer o download da imagem clicando no link com o nome do arquivo, conforme assinala a seta vermelha na imagem abaixo.

Já temos a imagem em CMYK. Agora chegou a hora de criar o PDF.

 

Criando o PDF/X-3


Para criar o PDF/X-3 vou usar outro serviço online. Dessa vez será no site image2pdf.com

Após acessar o site, vá para a aba "PDF Setting" e configure conforme mostra a imagem abaixo.


title: trata-se de uma tag do PDF onde você pode atribuir um título para o arquivo se desejar.

author: outra tag do PDF onde você pode informar o nome do autor do arquivo.

PDF/X version: selecione PDF/X-3:2003.

Output color condition: selecione Coated FOGRA39.

Abaixo, no rodapé da página, clique no botão "Selecionar arquivo..." e localize o arquivo da imagem convertida para CMYK, que foi feito download na etapa anterior. Se quiser, você também pode arrastar o arquivo da imagem para dentro da página.

Aguarde até que o arquivo seja carregado e apareça a confirmação do PDF criado, no rodapé da página, conforme pode ser visto na imagem abaixo.

Baixe o PDF clicando no botão "Download PDF".


Pronto! Agora é só levar o arquivo PDF que foi originado pelo download para a gráfica!

As especificações técnicas para impressão serão as seguintes:

Papel: offset
Gramatura: 90
Tamanho: A4
Impressão em cores de escala 4/0.
Acabamento em corte reto, com sangria.

Não tem erro! Até a próxima!



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